O mercado de veículos elétricos (VEs) está em franca expansão no Brasil, impulsionando a busca por informações sobre infraestrutura de recarga. Dados do Google revelam um aumento de 106% nas pesquisas por estações de recarga para VEs entre abril de 2022 e abril de 2023, evidenciando a crescente demanda por soluções práticas e eficientes.
Para atender a essa demanda e esclarecer as dúvidas frequentes sobre o carregamento rápido em eletropostos, este artigo reúne 7 fatos essenciais, com base em consulta ao especialista em mobilidade elétrica do Lactec, Carlos Gabriel Bianchin, e nas últimas tendências do setor.
Como funciona o carregamento rápido de veículos elétricos?
Basicamente, o carregador rápido converte a energia alternada (CA) em energia contínua (CC), possibilitando o carregamento direto do VE, reduzindo o tempo de recarga para 30 a 40 minutos. Os principais componentes dos carregadores rápidos são:
- Módulos de potência que convertem a energia alternada em contínua;
- Sistema de cabos e plugs que fazem a conexão com as baterias;
- Sistema de controle de temperatura e troca de calor que mantém a temperatura interna do carregador dentro dos limites operacionais;
- Bloco de eletrônica que gerencia a comunicação com o veículo elétrico.
A comunicação é constante. Para se ter uma ideia, a cada 300 milissegundos, há troca de informações completa sobre potência, corrente elétrica e energia fornecida pelo carregador ao veículo elétrico, e vice-versa. O veículo solicita uma corrente máxima e o eletroposto responde de acordo com sua capacidade, informando o quanto entrega.
Quais fatores podem afetar a velocidade do carregamento rápido?
Muitas vezes, não se tem potência total do veículo ou do eletroposto. Se houver pequenas diferenças de aceitação de energia, o limite menor é respeitado.
Em outra situação, quando a temperatura da bateria está mais elevada após uma longa viagem, por exemplo, é o veículo que não carrega na potência máxima. Haverá uma limitação por conta da própria temperatura da bateria.
Uma recarga depende de muitos fatores. Quais você destaca?
O tamanho do cabo e a compatibilidade entre carro e eletroposto. O tamanho da bitola do cabo determina a capacidade de corrente elétrica. Cabos com baixa capacidade de corrente podem restringir a potência. Hoje, no mercado brasileiro, já existem muitos eletropostos que estão saindo com cabos de 200A, e não mais 125A.
A potência do eletroposto não muda em si, mas quando a bateria do carro está mais baixa, por exemplo, o veículo vai pedir mais corrente do que o próprio cabo aceita.
Veículos elétricos com grandes potências e uma grande bateria precisam de um carregador compatível, para aproveitar ao máximo a capacidade de cada entre na recarga.
Quais as diferenças dos plugs de carregador num eletroposto?
Os dois tipos de plugs mais comuns são o CCS2, de carregamento contínuo, e o T2, de carregamento alternado.
O plug T2 possui dois terminais menores e cinco maiores. Os terminais menores são de proximidade e comunicação, com as funções de indicar que o plug foi conectado ao veículo, e de trocar dados entre o veículo elétrico e o eletroposto.
Os terminais maiores do plug T2 são de aterramento, para segurança; e de força, por onde a energia alternada passa para o carregador de bordo. A maioria dos carregadores residenciais não é trifásico, ou seja, só tem dois terminais de força. Mas nada impede de conectar o plug trifásico em um veículo com carregador de bordo com dois terminais.
Já o CCS2, usado em carregamento rápido, tem a mesma configuração de terminais de proximidade, comunicação e aterramento. A diferença é que tem dois terminais que carregam diretamente a bateria com corrente contínua, por isso o carregamento é mais acelerado. O eletroposto entrega a energia no padrão da bateria do veículo.
A recarga nos eletropostos rápidos é segura?
Sim. Há monitoramento constante entre o veículo e o eletroposto. Essa comunicação permite detectar qualquer desvio e imediatamente leva a suspensão da recarga.
A instalação de um eletroposto, principalmente o de carga rápida, segue padrões rígidos de segurança estabelecidos pelo próprio país e pelas concessionárias.
A vida útil da bateria é afetada caso use sempre o carregamento rápido?
A carga rápida injeta grande quantidade de potência em curto espaço de tempo. Isto provoca aquecimento nas células das baterias que pode degradar a vida útil da bateria. Isto significa que, usar muito o carregamento rápido, pode reduzir a autonomia da bateria.
Existem atualmente, desenvolvimentos que mostram novas tecnologias de baterias que sofrem muito pouco com este efeito, mas ainda não estão presentes em todos os veículos elétricos.
O que evoluiu na tecnologia de eletropostos e o que está por vir?
A grande evolução é o desenvolvimento de módulos de potência com maior capacidade para carregar em menos tempo os veículos elétricos. Com isso, será possível montar eletropostos com maior capacidade de potência para atendimento de novos veículos como caminhões e ônibus, que exigem maior potência devido às capacidades das baterias também serem maiores.
De outro lado, o que está por vir são eletropostos com tecnologia de carregamento sem fio, que ainda precisam avançar em termos de potência fornecida e sistemas de fixação nos veículos, mas têm potencial em face de eliminar os cabos e permitir que, por exemplo, possa se carregar um veículo elétrico sem que este pare de rodar (carregamento em rodovias, por exemplo).
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