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O que são os 5Ds da transição energética

Os 5Ds da transição energética (Descarbonização, Descentralização, Digitalização, Democratização e Diversificação) surgiram como respostas às mudanças aceleradas no setor energético global. Eles foram formulados a partir da contribuição de várias fontes, como organizações internacionais, empresas de energia, pesquisadores, governos e políticas públicas.

A discussão sobre os 5Ds ganhou força a partir de 2015, período marcado por um conjunto de mudanças e avanços tecnológicos, além de uma maior conscientização global sobre o enfrentamento das mudanças climáticas.

Afinal, o que são os 5Ds da transição energética?


Descarbonização

Esse pilar visa uma matriz energética cada vez mais limpa com a redução do uso de combustíveis fósseis. Mitigar as emissões de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera, é  fundamental para combater o aquecimento global. Por isso, a descarbonização é uma das práticas mais urgentes, pautando agendas econômicas, políticas e sociais. 

Um marco global nesse esforço foi o Acordo de Paris, assinado em 2015, quando países ao redor do mundo se comprometeram  a reduzir suas emissões de carbono para limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C. 

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável também compartilha do mesmo  foco. Estabelece 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas associadas para mitigação das mudanças climáticas, além da promoção de práticas ambientais, sociais e econômicas sustentáveis.

A descarbonização é uma peça-chave para alcançar muitos dos ODS, especialmente aqueles relacionados à energia, clima, infraestrutura e consumo sustentável. O cumprimento das metas da Agenda 2030 depende de uma transformação profunda no setor energético, alinhada com os princípios dos 5Ds, garantindo assim um futuro sustentável para todos.


Hidrogênio vira energia

A pergunta da vez é: como reduzir a dependência de combustíveis fósseis? Adotando fontes de energia mais limpas e sustentáveis como solar, eólica, hidrelétrica, biomassa e hidrogênio verde. A eletrificação dos ativos, o crescimento da eletromobilidade e o uso de armazenamento de energia também entram na lista de soluções, sendo  igualmente relevantes. 

O hidrogênio como combustível é uma solução para a produção de energia limpa e para alcançar as metas de descarbonização. Seu maior benefício é ser produzido sem a emissão de CO₂, ou seja, é carbono zero.

No Brasil, a primeira molécula de hidrogênio verde produzida no país foi lançada em janeiro de 2023, no Ceará. Este foi um marco para a transição energética do país. 

Neste vídeo, o diretor comercial do Lactec, Carlos Eduardo Ribas, comenta a necessidade de pesquisas e da aplicação em projetos práticos para o Brasil desenvolver sua cadeia de valor e exportar, além de tudo, conhecimento.

 

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Descentralização

A descentralização gera uma mudança no sistema energético, que passa do modelo tradicional centralizado para um sistema mais distribuído e local. Logo, a geração de energia em grandes usinas e a distribuição via redes extensas de transmissão muda de cenário. Agora, vemos a geração de energia em menor escala, no local de consumo, utilizando painéis solares em telhados ou pequenas turbinas eólicas, por exemplo.

A descentralização é um tema que vem ganhando cada vez mais espaço no setor elétrico devido às novas tecnologias e ao empoderamento do consumidor. Hoje, dos pequenos aos grandes consumidores de energia, é possível gerar, consumir, armazenar e até vender energia excedente.

Além disso, num sistema energético descentralizado, a resiliência também ganha força. Com várias fontes de energia disponíveis, se uma falhar, a outra pode continuar operando. Isso é especialmente importante em um cenário de  tragédias provocadas pelas mudanças climáticas e de apagões cada vez mais recorrentes.

 

Digitalização

A digitalização, como o próprio nome sugere, está ligada ao uso de tecnologias digitais, como inteligência artificial, big data, Internet das Coisas (IoT) e redes inteligentes. 

Essas ferramentas melhoram a eficiência, a segurança e a gestão do sistema energético. Também permitem maior integração das fontes de energia renovável, previsibilidade para apoiar tomadas de decisão e redução de custos para os grandes atores do setor. 

Mas certamente, o maior benefício desse pilar inovador é a melhoria na qualidade do fornecimento de energia ao consumidor final.

Para entender melhor, confira os seguintes exemplos de digitalização. São soluções executadas pelo Lactec, por meio do programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL):

Robô de Inspeção de Subestações (P&D 08106-0002-2017) | Cliente: State Grid

Subestações de alta tensão do sistema interligado nacional necessitam de inspeções periódicas. A utilização de sistemas robotizados é, na maioria das vezes, o método mais recomendado. Por isso, foi criado o Lacbot, um robô utilizado para uma maior eficiência na operação remota e gestão dos ativos, monitoramento de invasões e vandalismo, verificação visual e térmica dos equipamentos. Apesar de já existirem projetos para aplicações similares, nenhum era 100% autônomo. 

 

 

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Sensor Inteligente – Redes de 69 kV (P&D 0047-0097/2024) | Cliente: Neoenergia

O projeto começou em 2010 com o pedido do desenvolvimento de uma plataforma para a detecção de faltas de energia nas redes elétricas e que identificasse a localização de suas ocorrências. No início, foi destinado para redes elétricas de 13,8kV, posteriormente de 34,5kV e, hoje, 69kV. No decorrer do tempo, foram desenvolvidas novas funções como o controle de perdas e a detecção de possíveis furtos de energia.

Outro ganho significativo do sensor inteligente são as novas funcionalidades do servidor, como, por exemplo, a atualização remota do software de todos os sensores instalados de uma certa área.

 

Democratização

Assim como a descentralização, o pilar democratização torna o mercado mais inclusivo e acessível. Antes, a energia era controlada por grandes empresas e era difícil para consumidores comuns terem voz ativa no setor. Agora, com a geração distribuída e as novas tecnologias, os consumidores podem participar ativamente.

Quando os usuários podem produzir e vender sua própria energia, existe a redução de dependência por grandes fornecedores de energia. Além disso, novas políticas e regulamentações estão sendo criadas para garantir uma transição justa e em que todos tenham acesso à energia limpa, independentemente de sua localização ou condição socioeconômica.

Diversificação

Depender de uma única fonte de energia pode ser arriscado, especialmente em um mundo cada vez mais vulnerável a choques econômicos, políticos e às mudanças climáticas. Logo, para garantir a segurança energética e a sustentabilidade do planeta a longo prazo, é importante ter uma diversificação das fontes renováveis. 


Como o Brasil está em relação ao uso de fontes renováveis?

De acordo com pesquisas recentes da ANEEL e ABSOLAR, o Brasil se destaca globalmente pela alta participação de energia gerada por fontes limpas, alternativas e renováveis. Confira alguns dados relevantes:

  • 86% da energia brasileira já é originária de fontes renováveis.
  • 18% é fotovoltaica.


A interdependência dos 5Ds


Os 5Ds da transição energética — Descarbonização, Descentralização, Digitalização, Democratização e Diversificação — são pilares fundamentais para moldar o futuro do setor energético e enfrentar os desafios das mudanças climáticas.

Cada um desempenha um papel fundamental na construção de um sistema energético mais sustentável, resiliente e eficiente. São singulares e interdependentes.

A descarbonização necessita da descentralização para promover a integração de fontes renováveis; a digitalização contribui para a gestão e otimização das redes descentralizadas; a democratização e diversificação ajudam a construir um sistema energético inclusivo e potente, capaz de enfrentar as incertezas futuras.

Com uma integração eficaz dos 5Ds, é possível alcançar um sistema energético que não apenas atenda às necessidades atuais, mas que também garanta um planeta mais sustentável para as futuras gerações.

Para saber mais, continue acompanhando nossos conteúdos pelas redes sociais (Instagram, Facebook e Linkedin) e pelo nosso blog. 

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